sexta-feira, 5 de agosto de 2011


A vida pontua.
            O mundo pergunta.
O dinheiro exclama!
         O vizinho questiona.
 Eu, hoje? Sou só reticências...


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Encantamento

Saio do cinema recém inaugurado. Não como entrei. Impregnada com o entrelaçamento das histórias de Germain e Margueritte. Vivi intensamente a sintonia de suas diferenças. Enquanto me desloco da sala de projeção acompanhada por estes seres fabulosos... desejo desesperadamente um café. Procuro espaço onde possa enxergar o horizonte e bebê-lo. Encontrando-o, sento-me, mesa e cadeiras de madeira maciça a receber o sol do meio da tarde. Peço um expresso. Olho o sol... olho o mar. A vida pulsa. Respiro-a. O instante capturou-me. Vasculho minha bolsa atrás de caneta e agenda... Preciso escrever! Reencontro os trevos dados por Glorinha dias atrás, no Quilombo, que desidratam entre as páginas vasculhadas. Preciso escrever! Trevos convencionais, não quatro folhas, impregnados de afeto. Trevos que atravessaram a menina ao sorver a vida da terra de sua mãe, ofertados aos que lhe acompanhavam. Esses trevos eternizaram o momento e transbordam mais vida em meu instante. Chega o expresso. Bebo-o vagarosamente atravessada pelas conversas, no mesmo banco de parque dias a fio, entre Germain e Marguerite e, os trevos de Glorinha. A vida pulsa! Escrever é preciso! Mais um gole. O movimento do braço não acompanha tanta urgência. Atropelo palavras que disparam atrás dos sentimentos. Glorinha na autoridade de seus quatro anos compreende-se princesa. Deixei o mundo encantado há muitas e muitas gerações. Chego a questionar se alguma vez acreditei. Penso que não. Procuro absorver o mundo em seus encantamentos. Colher encantamentos possibilita enfrentar a concretude, a realidade... mesmo porque tudo que é sólido desmancha no ar. Este é momento de encantamento. Pulsante. Fluido. Eternizado em minha experiência. As tardes com Germain e Margueritte no cinema mais uma vez me provocaram a (re)conhecer a importância de investir nas pessoas, acolhendo suas trajetórias, despindo-nos da amarra dos preconceitos. Há uma linha tênue entre nossos vãos conceitos de tosco e sublime, sabedoria e ignorância, ternura e indiferença... erudito e popular. Preciso escrever! Preciso de encantamentos. Preciso... de mais um gole de café. Urgente é viver! A xícara de café se eterniza. Respiro lenta e profundamente.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tô mais pra Rita Lee, hoje

Doce Vampiro
Venha me beijar
Meu doce vampiroooo
Ou ouuuuu
Na luz do luar
Ãh ahãããããh
Venha sugar o calor
De dentro do meu sangue...vermelhoooo!
Tão vivo tão eterno...veneno!
Que mata sua sede
Que me bebe quente
Como um licor
Brindando a morte e fazendo amor...

Meu doce vampiro
Ou ouuuuu
Na luz do luar
Ãh ahãããããh
Me acostumei com você
Sempre reclamando, da vidaaaa
Me ferindo, me curando..a ferida
Mas nada disso importaaaa
Vou abrir a portaaaa
Prá você entrar
Beija minha boca
Até me matar...

Cha lá lá lá
Ou ouuuuu
Cha lá lá lá
Ou ouuuuu...Ou ouuuuu
Ãh ahãããããh
Ou ouuuuu...Ou ouuuuu
Ãh ahãããããh

Ãh ahãããããh
Me acostumei com você
Sempre reclamando da vidaaaa
Me ferindo, me curando...a ferida
Mas nada disso importaaaa
Vou abrir a porta
Prá você entrar
Beija a minha boca
Até me matar...de amoooor!



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vida

Pulso
Pulsação
Punção

Punção
Pulso
Pulsação

Osso do peito
Peito

Peito
Osso
Osso do peito

Sangria
Vermelho
Oxigenação


terça-feira, 17 de maio de 2011

Shanti

Eis que pela porta entreaberta aproxima-se o felino, à espreita até o afastamento da professora, concentrada na preparação da sala para o yoga. Envoltos - eu e o felino - pelo incenso e pelo jardim atravessando a porta que em vão buscava isolá-lo, invadimos espaço um do outro, embora naquele momento a sala fosse minha e dos que chegariam aos poucos.

Em movimentos sinuosos, como quem nada quer, o quadrúpede... falo de gatos, não dos batizados bípedes que normalmente atormentam mais do que os bichanos, inclusive escassos em alguns ecossistemas. Mas esta... é uma outra história.

Deixemos gatos - bípedes - para outra hora e voltemos ao protagonista desta narrativa. Bem, ronronando como quem nada quer, aproxima-se certeiro, maroto... o gato. Apesar do meu afeto pelos animais, não sou daquelas que se derretem ao simples contato, estabeleço algum limite territorial... Mas este gato manhoso, sinuoso, soube achegar-se... De mansinho olho no olho deslizando refestelou-se ao encostar em mim... acariciando-se mesmo que eu não movesse um músculo sequer.

Neste flash cheguei a rever meus conceitos e em função da experiência que me atravessava, entrei em sintonia com o felino e minha emoção clicou a cena que ora me habita.

Em meio a troca de afetos, senti-me especial, fora escolhida. Nesta sintonia em que não se sabe quem é bicho e quem é gente... o chamamento:

- Shanti!!!!! Não baba no tapete da Sandra!

É... Shanti (e poderia ter outro nome o gato da Morada do Yoga?) soltou alguns pelos, pode ter babado alguns mililitros... Mas quanto afeto me proporcionou!

Naquele dia o yoga me pareceu ainda mais especial... A PAZ (shanti) materializou-se mesmo antes da aula.

Namastê!!!!


domingo, 3 de abril de 2011

Víscera e coração

Ainda posso sentir o vento nos cabelos, a umidade, a aragem, os sons, as vozes, guinchos, cheiros, sabores e aromas, o que os olhos colhiam e o que lhes escapava, capturado então na pele, vísceras e coração. Busco-me mais intensamente a cada agora. Por isso, compartilhar dois dias junto a educadores e outros profissionais no projeto Acolhida na Colônia ensinou-me mais de mim na medida em que mostrou o que se descortina quando o objetivo é respirar em sintonia com o Planeta.
A água purificada da nascente, protegida por mãos determinadas a preservá-la; o resgate do engenho para processamento da cana; a plantação de frutas e verduras sem agrotóxico (colhidas e provadas ao transitarmos por seus canteiros); a feitura artesanal do suco e do vinho, a culinária saudável e colorida, a mão inspirada pela tradição a processar geléias, pães e tortas; a preservação da mata, das araucárias, bem como da cultura milenar indígena que a modernidade insiste soterrar; a hospedagem por famílias que olham nos olhos, escutam e abraçam e, principalmente o fato de que no coletivo, ao enfrentar conflitos e transcender egos, os limites do impossível perdem terreno... Tudo isso incrementa meu desejo de apostar na vida que podemos forjar em companhia.
Ao recebermos convite para conhecer o turismo familiar e pedagógico na serra catarinense, ampliando experiência iniciada com nossos alunos adolescentes, em companhia com Márcia, ambas motivadas pela permacultura na escola, pegamos o micro-ônibus de manhãzinha e aquecidas pelo sol, subimos a serra.
Chamou-nos à atenção algo que para mim é o grande diferencial em meio aos bla bla blás ecologicamente corretos, panfletários. Tanto Daiana, a coordenadora do projeto, quanto o motorista da Van, Wagner, exercitaram com afeto o acolhimento do grupo que cedinho encontrou-se em frente à Rodoviária de Floripa. Grupo que por sinal mobilizou-se a interagir também com afeto, trocando aprendizagens. Esta atitude dá significado ao fato de que a transformação do planeta começa no micro, na parceria eu-outro, mediados pelo e mediando o mundo.
Os agora compartilhados no Acolhida na Colônia nos fizeram buscar pulsar em sintonia com o Planeta.

terça-feira, 15 de março de 2011

Alguns dias atrás

... ouvi que o amor é descabido... é insano.
Conceito que harmoniza com meu agora.
"Caber" e tornar-se "sano" o assassina?
Forja sua não existência?
Penso nesse sentimento e suas múltiplas faces.
Uma delas, que neste momento me habita
atormenta e apazigua
é de profunda insanidade.
Quero-o e não.
Mim, cadê você?